Num tempo em que os desafios da saúde continuam a marcar a realidade de milhares de famílias angolanas, Sweine de Sousa Rabelais Rodrigues Coelho surge como uma das vozes mais inspiradoras da nova geração de profissionais comprometidos com uma medicina mais humana, acessível e transformadora. Médica, autora, líder social e defensora da dignidade no atendimento ao paciente, a jovem angolana tem conquistado reconhecimento dentro e fora do país pelo impacto do seu trabalho nas comunidades mais vulneráveis.
Nascida a 18 de setembro de 1994, em Luanda, Dra. Sweine revelou desde cedo uma forte sensibilidade para as questões sociais. Foi precisamente ao observar, ainda na infância, as dificuldades enfrentadas por muitas famílias no acesso aos cuidados médicos que nasceu o desejo de seguir medicina. “Via longas esperas, falta de assistência e sofrimento silencioso. Isso despertou em mim não apenas a vontade de ser médica, mas também de contribuir para uma saúde mais humana e acessível”, contou à Revista Chocolate Lifestyle.
Licenciada em Medicina Geral pela Universidade Jean Piaget de Angola, a médica decidiu aprofundar os seus conhecimentos em gestão e liderança na saúde, apostando em formações internacionais. Frequentou programas em Gestão de Unidades de Saúde e Gestão de Pessoas na Universidade Europeia Miguel de Cervantes e desenvolve actualmente estudos avançados em Saúde Ocupacional e Medicina do Trabalho na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.
Segundo a especialista, a experiência internacional permitiu-lhe compreender modelos mais modernos e eficientes de gestão hospitalar. “Hoje acredito que Angola pode evoluir muito através da combinação entre competência técnica, tecnologia e humanização dos serviços”, afirmou.

Ao longo da sua trajectória, Dra. Sweine conciliou a prática clínica com funções de gestão e liderança em instituições de saúde, sempre com foco na melhoria da qualidade dos serviços prestados aos pacientes. Para ela, a medicina humanizada significa olhar para o paciente além do diagnóstico. “É ouvir, acolher, explicar com empatia e tratar cada pessoa com dignidade”, sublinhou.
Apesar da rotina exigente, garante que a disciplina e a organização são fundamentais para equilibrar a actividade clínica, os projectos sociais, a escrita e a gestão hospitalar. Ainda assim, reconhece a importância do autocuidado e da saúde emocional. “Só conseguimos cuidar bem dos outros quando também cuidamos de nós”, destacou.
Foi precisamente movida pelo desejo de aproximar os cuidados médicos das populações mais vulneráveis que fundou o projecto “Vamos Falar de Saúde”, iniciativa social dedicada à promoção da saúde, prevenção de doenças e educação comunitária. Através do projecto, são realizadas mais de 500 consultas médicas gratuitas por ano, além de palestras educativas, distribuição de medicamentos e entrega de kits de higiene em comunidades carenciadas.
Entre os momentos mais marcantes da iniciativa, a médica recorda o impacto das campanhas comunitárias e dos podcasts educativos. “Ver pessoas mudarem hábitos e procurarem assistência médica depois das nossas acções é extremamente gratificante”, revelou.
Autora do livro “Os Segredos de uma Gestão Humanizada em Saúde”, Dra. Sweine procurou partilhar experiências e soluções práticas para os desafios enfrentados nas unidades hospitalares. A obra aborda temas como liderança, empatia e eficiência na gestão dos serviços de saúde. É também coautora das obras “Mulher Autêntica” e “The Period Book”, focadas na valorização feminina e educação em saúde.
Sobre o papel da mulher angolana no sector da saúde, considera que existe uma evolução cada vez mais visível. “Hoje vemos médicas, enfermeiras, gestoras e investigadoras a ocuparem espaços importantes. Ainda existem desafios, mas acredito que a valorização feminina continuará a crescer”, afirmou.
A médica integra igualmente a FIJADA, onde exerce funções ligadas às relações-públicas. Para Sweine Coelho, plataformas internacionais de juventude africana são fundamentais para promover liderança, intercâmbio de conhecimento e soluções locais para os desafios do continente.
Recentemente, representou Angola na Conferência dos Jovens Diplomatas Africanos na ONU, realizada na Etiópia, levando ao palco internacional as preocupações e perspectivas da juventude africana. “Quando levamos o nome do país para espaços globais, precisamos transmitir não apenas os desafios, mas também o potencial transformador da juventude angolana”, frisou.
O impacto do seu trabalho já lhe valeu importantes distinções, entre elas o Prémio Tigra Nova Garra 2025 na categoria de Saúde, o She Millionaire Africa – Women Wealth Builders Awards 2025, os 100 Iconic African Personalities for Social Responsibility, a Gala das Estrelas 2025 na categoria Innovation in Health e o reconhecimento Líderes Angola – Saúde e Bem-Estar.
Para 2026, estão previstas novas nomeações e convites internacionais, incluindo os 100 Iconic Personalities in Nigeria, a Gala das Estrelas no Japão, o Emerging Brands in Africa Awards, na África do Sul, e a participação oficial na 8.ª edição do Africa 100 Award Ceremony.
Mesmo diante do reconhecimento crescente, Dra. Sweine garante que o foco permanece intacto. “Os prémios motivam e dão visibilidade às causas que defendemos, mas o verdadeiro objectivo continua a ser servir pessoas e gerar impacto positivo na sociedade”, afirmou.
Ao olhar para o futuro, a médica angolana deseja deixar um legado de humanização, excelência e compromisso social para as próximas gerações de profissionais da saúde. “Quero que compreendam que cuidar vai muito além da técnica: é também acolher, ouvir e servir com empatia”, concluiu.



