“Tudo começou como uma brincadeira”: Erica transforma autenticidade em marca global e inspira nova geração

Gracieth Issenguele
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Num tempo em que o digital se tornou palco de identidades e ambições, Erica  afirma-se como uma das vozes angolanas que atravessam fronteiras com autenticidade e visão. A partir do Reino Unido, onde actualmente reside, construiu muito mais do que uma presença nas redes sociais ergueu uma narrativa sólida, onde moda, fitness e lifestyle se cruzam com propósito, consistência e uma estética cada vez mais refinada. Com mais de cinco anos de experiência, parcerias estratégicas e uma comunidade fiel em constante crescimento, a criadora e empreendedora dá agora forma ao seu universo com a marca Sea&Nay. 

Nesta entrevista exclusiva à Revista Chocolate Lifestyle, revela os bastidores do seu percurso, os desafios de equilibrar múltiplos papéis e a força de uma identidade cultural que continua a inspirar, mesmo além-fronteiras.

RC: Como começou o seu percurso enquanto criadora de conteúdo digital e o que a motivou a apostar nas áreas de moda, fitness e lifestyle?

EN: O meu percurso começou de forma bastante inusitada. Surgiu quase como uma brincadeira, resultado do aborrecimento e das limitações impostas pela pandemia. Na altura, comecei a partilhar conteúdos de forma leve e sem grandes expectativas, mas rapidamente percebi que aquilo que era espontâneo também criava conexão com outras pessoas. Inicialmente, o meu conteúdo era mais focado em moda e beleza, até porque era o que me era mais acessível naquele momento — vídeos de desafios, transições e combinações de roupas. Com o passar do tempo e à medida que fui evoluindo pessoalmente, senti vontade de integrar o fitness, que já fazia parte da minha rotina e do meu compromisso com o bem-estar. O lifestyle acabou por surgir naturalmente como reflexo dessa junção, e o que começou de forma casual transformou-se, gradualmente, num projecto com propósito e direcção.

RC: Ao longo de mais de cinco anos nas redes sociais, quais foram os momentos mais determinantes para a construção da sua identidade digital?

EN: Houve vários momentos-chave, mas destacaria a consistência na minha comunicação, a definição clara da minha estética e os primeiros reconhecimentos por parte de marcas. Além disso, a fase em que comecei a partilhar conteúdos mais autênticos e pessoais foi essencial para consolidar a minha identidade digital. Outro momento muito determinante foi o nascimento da Sea&Nay, que surgiu como uma extensão natural dessa identidade já construída. A criação da marca permitiu-me materializar a minha visão criativa e reforçar ainda mais o meu posicionamento, não apenas como criadora de conteúdo, mas também como empreendedora.

RC: Actualmente baseada no Reino Unido, de que forma essa experiência internacional influencia o seu conteúdo e a sua visão criativa?

EN: Viver no Reino Unido ampliou muito a minha visão criativa. Estou exposta a diferentes culturas, tendências e estilos, o que me permite criar conteúdos mais diversificados e globais. Essa experiência também trouxe uma maior sofisticação estética e uma abordagem mais estratégica ao conteúdo.

RC: Como descreve a evolução da sua comunidade online e que estratégias considera essenciais para manter uma audiência fiel e em crescimento?

EN: A minha comunidade cresceu de forma consistente e tornou-se mais engajada ao longo do tempo. Acredito que a autenticidade, a consistência e a interação genuína são fundamentais. Responder, ouvir e criar conteúdos que realmente acrescentem valor são estratégias essenciais.

RC: Ao colaborar com marcas de diferentes sectores, como selecciona parcerias que estejam verdadeiramente alinhadas com a sua identidade?

EN: Eu priorizo marcas que estejam alinhadas com os meus valores, estética e estilo de vida. É importante que eu me identifique genuinamente com o produto ou serviço, porque isso reflecte-se na forma como me comunico com o meu público.

RC: O universo digital está cada vez mais competitivo. O que distingue o seu conteúdo num cenário global tão dinâmico?

EN: Acredito que a minha autenticidade e consistência visual são os principais diferenciais. Procuro criar conteúdos que sejam não só visualmente apelativos, mas também genuínos e identificáveis. A minha identidade cultural também traz um toque único ao que faço.

RC: A Sea&Nay surge como uma extensão do seu universo criativo. Como nasceu a ideia de criar uma marca de fatos de banho em croché?

EN: A Sea&Nay nasceu do desejo de transformar aquilo que começou como um hobby em algo mais significativo. Quis criar um espaço onde pudesse expressar plenamente a minha criatividade, mas também construir algo com identidade e deixar a minha marca. Sempre tive uma ligação especial com peças artesanais, e senti que fazia sentido desenvolver algo único, feminino e com propósito. O croché surgiu naturalmente como uma forma de valorizar o trabalho manual, trazendo exclusividade e autenticidade a cada peça.

RC: A sustentabilidade e a inclusão são pilares da sua marca. Como traduz esses valores na prática, tanto na produção como na comunicação?

EN: Na produção, a marca opta por processos mais conscientes e valoriza o trabalho artesanal, evitando produção em massa. Na comunicação, procura representar diferentes corpos, estilos e identidades, criando uma marca mais inclusiva e real.

RC: De que forma equilibra o papel de criadora de conteúdo com o de empreendedora? Há desafios específicos nessa dualidade?

EN: Equilibrar esses dois papéis exige muita organização, disciplina e capacidade de adaptação. Há desafios, especialmente na gestão de tempo e prioridades, mas também existe uma grande sinergia entre as duas áreas, já que uma acaba por impulsionar a outra. Para além disso, sou estudante a tempo inteiro, o que acrescenta uma camada extra de responsabilidade, e procuro igualmente manter um equilíbrio com a minha vida pessoal. Nem sempre é fácil conciliar tudo, mas aprendi a estruturar melhor o meu tempo e a ser mais intencional com as minhas escolhas. No final, tudo isso faz parte do processo de crescimento, tanto a nível profissional como pessoal.

RC: Sendo uma criadora angolana no exterior, como integra referências do lifestyle angolano no seu trabalho de forma autêntica e contemporânea?

EN: Integro essas referências de forma subtil, mas intencional, seja através da estética, da energia que transmito ou até da forma como comunico. Existe sempre uma influência da minha identidade cultural no que crio.

RC: Como analisa o crescimento da moda independente e digital, especialmente entre jovens criadores africanos?

EN: Vejo um crescimento muito forte e necessário. Há cada vez mais jovens criadores africanos a ocupar espaço com propostas inovadoras e autênticas. As redes sociais têm sido uma ferramenta fundamental para dar visibilidade a esses talentos.

RC: Que conselhos deixaria a jovens angolanos que desejam construir uma carreira sólida nas redes sociais e, simultaneamente, lançar os seus próprios negócios?

EN: Diria para começarem com autenticidade, serem consistentes e investirem no seu conhecimento. É fundamental também terem amor pelo que criam, porque isso reflecte-se em tudo o que fazem, e não terem medo de arriscar e sair da zona de conforto. É importante construir uma base sólida antes de lançar um negócio e, acima de tudo, ter paciência — os resultados vêm com o tempo, dedicação e persistência.

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