“Museu ao Encontro das Comunidades”: Huíla leva a memória cultural às escolas

Gracieth Issenguele
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A preservação da identidade cultural angolana ganhou um novo fôlego na província da Huíla com a expansão do projecto virtual “Museu ao Encontro das Comunidades”, uma iniciativa do Museu Regional da Huíla que tem aproximado estudantes e comunidades locais da riqueza histórica e tradicional dos povos do Sul de Angola.

No âmbito das comemorações do Dia Internacional dos Museus, assinalado no passado 18 de aio sob o lema “Museus unindo o mundo dividido”, o projecto levou conteúdos museológicos à Escola Kambambi Nguipa, no município da Humpata, através de apresentações virtuais, sessões educativas e projecções audiovisuais que despertaram a curiosidade e o interesse dos jovens pela cultura nacional.

Segundo informações divulgadas pelo Jornal de Angola, a actividade permitiu aos alunos e membros da comunidade mergulharem nos hábitos, usos e costumes dos povos da Região Sul do país, por meio de fotografias, catálogos, vídeos e explicações conduzidas por técnicos especializados do museu. A experiência transformou a escola num verdadeiro espaço de descoberta cultural, aproximando o património de quem, muitas vezes, enfrenta dificuldades de deslocação até à instituição.

A directora do museu, Angelina Sacalumbo, explicou que o principal objectivo da iniciativa é democratizar o acesso ao conhecimento museológico e descentralizar a cultura. “Levámos o museu de forma virtual, com a projecção de vídeos e explicações técnicas, como se fosse uma visita guiada fora do espaço físico da instituição”, afirmou.

Mais do que uma simples actividade educativa, o projecto tem desempenhado um papel estratégico na valorização da memória colectiva e no fortalecimento da ligação das novas gerações às suas raízes culturais. A iniciativa permite aos jovens compreenderem melhor o papel dos museus na catalogação, conservação e divulgação do património histórico e etnográfico do país.

O programa contou com o apoio da Administração Municipal da Humpata, do Gabinete Provincial da Cultura da Huíla e de outros parceiros institucionais, reforçando a importância da união entre entidades culturais e governamentais na promoção da herança angolana.

Além das actividades pedagógicas, o evento integrou uma feira de produtos artesanais, destacando diferentes expressões culturais representadas no acervo do museu e incentivando a valorização do artesanato local como símbolo de identidade e resistência cultural.

Nos últimos tempos, o Museu Regional da Huíla tem registado um crescimento significativo no número de visitantes, sobretudo provenientes de escolas do ensino primário e do I ciclo da cidade do Lubango. De acordo com Angelina Sacalumbo, a instituição recebe mensalmente entre 400 e mil visitantes, incluindo turistas nacionais e estrangeiros, com maior procura durante festividades como as Festas da Cidade do Lubango e da Senhora do Monte.

A classificação do museu como Património Cultural Nacional, em 2023, contribuiu igualmente para aumentar a visibilidade da instituição, consolidando-a como um dos mais importantes centros de preservação cultural do país. O museu reúne um vasto acervo ligado aos povos das províncias da Huíla, Namibe, Cunene, Cuando e Cubango, abrangendo elementos relacionados com pastorícia, caça, pescas, agricultura, espiritualidade, música e organização social.

Entre as peças de maior relevância destaca-se a tradicional cabaça-batedeira, conhecida localmente como okupa ou njakelo, utilizada no processamento do leite e fabrico artesanal de manteiga. Instrumentos musicais, tronos reais, adornos femininos, cestaria, olaria e objectos ligados às crenças espirituais completam uma colecção que preserva séculos de história e tradição.

Num tempo em que a tecnologia aproxima realidades distantes, o Museu Regional da Huíla mostra que a cultura também pode viajar sem paredes, levando conhecimento, memória e identidade directamente ao encontro das comunidades.

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