Coçar os olhos com frequência pode parecer um hábito inofensivo, mas especialistas alertam que esse comportamento está associado ao agravamento do ceratocone, uma doença ocular que afecta a córnea e pode comprometer seriamente a visão.
O ceratocone ocorre quando a córnea, estrutura transparente localizada na parte frontal do olho, se torna mais fina e passa a assumir um formato semelhante ao de um cone. Essa alteração provoca visão embaçada, distorcida e aumento da sensibilidade à luz, impactando significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

Com a chegada do Junho Violeta, mês dedicado à conscientização sobre a doença, especialistas reforçam a necessidade de informação e diagnóstico precoce. Embora o ceratocone possa afectar qualquer pessoa, estudos apontam que a condição tende a manifestar-se de forma mais severa na população negra, uma realidade que também está relacionada às desigualdades no acesso aos cuidados de saúde.
Segundo o médico brasileiro oftalmologista Renato Ambrósio Jr., considerado uma das principais referências sobre o tema.
O especialista destaca que, quando identificado nas fases iniciais, o ceratocone pode ser acompanhado e tratado de forma mais eficaz, reduzindo o risco de perda visual significativa. No entanto, quando o diagnóstico é tardio, aumentam consideravelmente as probabilidades de o paciente necessitar de procedimentos mais complexos, incluindo o transplante de córnea.
A campanha Junho Violeta procura justamente chamar a atenção para os sinais da doença, incentivar consultas regulares ao oftalmologista e promover o acesso a exames especializados, contribuindo para que mais pessoas recebam diagnóstico e tratamento antes que os danos à visão se tornem irreversíveis.
